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A História do Blues

O blues americano surgiu no sul dos Estados Unidos, nos estados Alabama e Mississipi,
em campos de plantações

Por Paula Berlim, Brasil
02 de Agosto de 2016


"Nunca podemos nos esquecer do Blues" (Jimi Hendrix). Muitas pessoas têm a ideia de que o blues é apenas música de negros americanos da década de 20 e acabam se esquecendo de que este gênero musical é o berço de um estilo que viria a ser o símbolo da sociedade do século XX: o Rock’n Roll". 

O blues americano surgiu no sul dos Estados Unidos, nos estados de Alabama e Mississipi, em campos de plantações de algodão, onde os escravos negros que vieram da África cantavam para poder aliviar o sofrimento do trabalho escravista e, também, desabafar sobre sentimentos amorosos, a melancolia da vida no campo, religiões, e as angústias de serem negros que batalhavam pela liberdade de ter a sua própria voz, de ser alguém. 

Após a Guerra Civil americana, os negros, libertos, tiveram, enfim, a chance de poder sonhar alto com a música. O Blues chegou a Chicago na década de 40 e encontrou melhores condições de vida, produtores musicais e, acima de tudo, a eletricidade na guitarra. Tornando-se mais alto e pesado, o blues tornou-se urbano. Nasce, então, a denominação Rhythm & Blues, criada por Jerry Wexler (importante produtor musical, que lançou vários Bluesman de renome no mercado, tais como T-Bone Walker e Ray Charles), derrubando, portanto, o termo racista que era utilizado até então: “Race Records” (Disco da Raça, em português). 

Nomes como Muddy Watters, John Lee Hooker, B.B King e Willie Dixon estrelaram esta fase do Blues e influenciaram dois grandes nomes que levariam o estilo à elite americana e, posteriormente, mundial, sobretudo no Reino Unido: Chuck Berry e Elvis Presley. Até então, apesar de os negros terem sucessos com suas guitarras e vozes poderosas, principalmente em comunidades negras, eles eram, ainda, muito discriminados pelos brancos. E esse discurso era espalhado pela ideologia de que a música feita por negros era considerada tribal, pagã e diabólica, principalmente entre a geração “Pais” da época, pois o ritmo pegado e agitado de Elvis, por exemplo, já conquistava e “acordava” os adolescentes para o futuro que lhes guardavam.  Sendo assim, o nome “Rock’n Roll” foi criado com o intuito de dizer “Novo tipo de música”, enquanto que Rhythm & Blues foi atribuído pejorativamente como música de negro, dividindo, portanto, a música do branco da música do negro, muito embora o estilo fosse o mesmo, apenas com um ritmo mais acelerado por parte do “Rock”. 

Entretanto, apesar de todo o “esforço” da elite preconceituosa, não era mais possível parar o blues/rock. Eis então que o blues foi para a Inglaterra. Com Muddy Waters e sua intensa banda elétrica, os ingleses se impressionaram com tamanha presença e potência dessa música, carregada de solos desconcertantes e batida marcantes. O blues cresceu na terra da Rainha, Bluesmans foram aparecendo, e, quando menos se esperava, bandas como The Rolling Stones, The Beatles e Cream despontaram. E então veio a década de 60, seguida da de 70 e assim por diante, e desde então o Rock só cresceu no espaço mundial. Você conhece o resto da História.

O ponto principal deste texto é mostra que apesar de o Blues ter desencantado através do Rock, ele sempre foi tratado como Subcultura, que, apesar de seu sucesso, foi preciso muita coragem e persistência dos Bluesmans americanos para aguentar a segregação racial intensa no país, afinal, nesta época ainda não existia - formalmente - a luta que Martin Luther King levantara na década de 50. E mesmo assim essa belíssima cultura só foi de fato reverenciada através de bluesmans brancos e bandas de rock brancas inglesas. É  uma pena estes negros não serem devidamente reconhecidos atualmente por terem dado início a uma nova era, não só musical, mas cultural e social. Conhecer um pouco a origem do mundo que conhecemos hoje, entretanto, é uma forma de valorizar aqueles que os construíram.

O texto acima foi escrito originalmente em 2011 para um trabalho escolar. Foi publicado também em 2014 no site "We Came From Africa". Disponibilizo novamente na Revista Pauta.