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Esgotam-se as falsas alternativas. Procurando outra.


Texto escrito por Marco Lopes, estudante de Ciências Sociais pela Unicamp, em colaboração para a Revista Pauta


2016 vai ser conhecido como o ano do pato amarelo gigante na paulista. 2016 vai ser conhecido como o fim do governo do PT e o golpe parlamentar. 2016 vai conhecido como o ano da crise. A crise que chegou pra ficar, cada vez mais grave e perigosa. 

A crise é séria. Estamos cada vez mais caminhando de volta. Indo para trás. Há alguns anos, os avanços e as conquistas foram se transformando em derrotas e ataques. A educação, a saúde, a moradia foram os direitos básicos mais atacados. As jornadas de Junho de 2013 mostraram que existia um grande sentimento de transformação. Não só no Brasil, mas no mundo a juventude vem protagonizando diversas lutas, ocupando ruas, escolas, espaços públicos, universidades. A juventude, como um dos setores mais afetados pela crise econômica mundial que se agrava nos últimos anos com os cortes na educação e o desemprego, tem sido o estopim de todos esses processos de luta que vão contra a lógica da precarização e da corrupção. Porém, os ataques continuam sendo desferidos cada vez mais rápidos à medida que a crise se agrava. Temer e seus aliados tem preparado junto com o congresso nacional corrupto uma dose gigante de medidas trabalhistas, econômicas e políticas que limitam testes aos gastos do Estado com os direitos básicos. Além de precarizarem o trabalho, tais medidas perseguem os direitos dos que mais sofrem com a violência cotidiana: as mulheres, os negros e a população LGBT.
       

2016 tem se provado uma prova. Com o segundo semestre correndo, ainda não sabemos muito bem o que fazer. De repente, a política se revelou o que sempre foi: algo lá com um bando de homens de gravata gritando entre si um monte de coisa e a gente aqui, só esperando ver no que vai dar. Quem não assistiu em choque um cara X votando pelo impeachment sob a justificativa do bem dos netos? A gente começa a ver que se eles não se levam a sério, por que nós temos que levá-los?
        

Não existem mais representantes. Ninguém quer defender Dilma e o PT, mas ninguém vai ficar do lado do golpe da direita e do Michel Temer que mais parece um vilão da Marvel do que pessoa. No fundo, as pessoas sabem o que cada governo representou e por isso as possibilidades pelas quais se passam na cabeça de Michel Temer/PMDB e sua equipe de empresários já nos dão calafrios. Se a situação já estava ruim, agora está cada vez pior.
         

Pessimismo não leva a lugar nenhum. Quando esgotam-se alternativas, o que fazer? Afinal, a juventude e os trabalhadores que desejam impedir ainda mais retrocesso querem uma saída política e uma resposta para suas demandas. Quando os estudantes do estado de São Paulo entram em greve, ocupando suas escolas e suas universidades, percebemos que já não confiam nas velhas organizações e nas velhas figuras da velha política. Querem figuras que radicalizem e se revoltem contra elas por mais verba para a educação, por mais moradia, por cotas raciais e contra qualquer tipo de ataque à vida humana. Querem figuras que combatam a lgbtfobia, o machismo e o racismo, que levantem políticas concretas para o fim da violência e da discriminação.
          

A juventude quer lutar e aparecer. Ocupar seu lugar. Um lugar à esquerda. Um lugar que se diferencie e que seja de fato um lugar de luta onde possa se articular e construir mais e mais luta. Luta que tem como vitória o Fora Temer: o único jeito de vencermos esses ataques, empurrando até cair. A juventude grita o Fora Temer. Mostra-se como a própria alternativa que procura. 

Isso já é o positivo. Os jovens não querem e não vão aceitar o velho jogo e, na luta, têm se mostrado capazes de construir com sua política o combate necessário à precarização e ao descaso. Ser jovem hoje é difícil, mas interessante. Porque ser jovem hoje é ser lutador. 

Precisamos nos organizar como lutadores. Organizar todos que estão dispostos a se movimentar em direção a um futuro melhor. Contra os empresários e seus lacaios, precisamos de que todos os trabalhadores e trabalhadoras, todas as mulheres, os negros e negras que, em sua maioria, vivem nas periferias, todas as bi, as gay, as sapata e as travas e todos os jovens se unam em torno do Fora Temer. A esquerda coerente e revolucionária precisa fazer esse esforço. Precisa entender que está na hora da unidade. Esta é a hora de somar forças. Precisamos nos armar e nos preparar contra o que está por vir, porque é coisa ruim, isso podemos ter certeza. 

Não podemos ser pessimistas e acreditar que é o fim. Quando se esgotam alternativas, é o dever dos criativos criarem outras. No caso, uma alternativa de esquerda que seja anticapitalista. Que vá de frente contra o desemprego. Que vá de frente contra os empresários. Que vá de frente contra as velhas figuras da política que se vendem e tentam nos enganar no horário eleitoral. Estamos cansados de nos cansarem. Queremos, podemos e exigimos mais! 

Fica aí reflexão. Como construir mais detalhadamente essa alternativa? Como podemos aglutinar toda a esquerda pra abrirmos um espaço ainda mais amplo para até os que nunca lutaram queiram lutar: ir em um ato, em uma reunião de centro acadêmico...Como podemos fazer com que todos levantem a faixa do Fora Temer? Como a gente faz para contra-atacar? Vamos por nossa cachola para funcionar...