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The Get Down - 1ª Temporada - Análise e primeiras impressões

A série foca justamente nos jovens e como eles encaram, por meio da arte, uma vida cercada por opressões


A série The Get Down é mais uma produção do Original Netflix e conta com muita música, arte e dança. A proposta da produção é ambientar o telespectador no final da década de 70 com o surgimento do Hip-Hop em meio a uma periferia de Nova York conturbada e marginalizada: o Bronx. Lançada em 12 de agosto deste ano, a série vai na contramão do padrão branco e elitista exibido pelas produções americanas e, como raramente visto antes, expõe a realidade da juventude negra americana perante o racismo e as dificuldades impostas pela sociedade capitalista. Juventude esta que busca no hip-hop, no rap e no grafite a sua válvula de escape para existir e resistir. Este retrato de um bairro à beira da falência e recheado de conflitos sociais é o palco de uma realidade não só de uma infraestrutura saturada e aniquiladora, mas também da superestrutura baseada na produção de arte e cultura periféricas em resposta ao cenário caótico de uma Nova York em crise.

A história é contada pela perspectiva de Ezekiel (Justin Smith), personagem principal, um rapaz órfão que escreve poesias inspiradas em sua paixão, Mylene (Herizen Guardiola), e descobre seu talento juntamente com DJ's e MC's do bairro - entre eles se destaca Shaolin (Shameik Moore), o DJ e grafiteiro que mudará a vida de Ezekiel e será seu tutor na luta pela sobrevivência. Ezekiel tenta a todo custo conquistar o coração de Mylene, mas a moça está decidida a investir na carreira de cantora e livrar-se de um pai ultra conservador religioso. A série foca justamente nos jovens e como eles encaram, por meio da arte, uma vida cercada por opressões e fatores inerentes ao próprio personagem e, logo no primeiro episódio, já são mostradas a transformação da música gospel, a influência que a Disco Music exercia sobre os jovens e o embrião do hip-hop nas poesias e batidas de DJ's. Quem gosta de música apreciará, sem dúvidas, as performances exibidas pelo show.

The Get Down é uma viagem no tempo para a década de 70 e uma representação de uma cultura muitas vezes desconhecida em sua origem. Rejeita a superficialidade e traz à tona debates raciais e classistas necessários ainda nos dias de hoje. É inegável que o mundo atual é recheado de jovens como Ezekiel e Mylene, não só nos EUA, mas também no Brasil, no mundo todo.