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Decifrando Bob Dylan: Blowing In the Wind

Dylan consegue transpor simplicidade e esperança ao mesmo tempo em que denuncia uma das maiores crises da sociedade pós-moderna



Blowing in the Wind é datada de 1963, período em que a guerra fria estava em ebulição, o movimento hippie surgia em oposição às guerras, a revolução sexual abalava os padrões sociais de gênero e a corrida armamentista acirrava cada vez mais. Contextualizado no movimento pela luta dos direitos civis, Bob Dylan escreveu "Blowing In the Wind", a música-protesto que transcendeu a sua época e tenta, ainda hoje, alertar as pessoas sobre o perigo da neutralidade em tempos de guerra e injustiça social.

Dylan consegue transpor simplicidade e esperança ao mesmo tempo em que denuncia uma das maiores crises da sociedade pós-moderna: a indiferença e a liquidez que lidamos com as tragédias.
             
Quantas vezes um homem pode virar a sua cabeça
E fingir que simplesmente não vê?

A resposta, meu amigo, está soprando ao vento
A resposta está soprando ao vento

A realidade está tão óbvia que bate em nossos rostos, mas também tão cega como enxergamos o vento. Estes são um dos versos mais simbólicos e aplicáveis a inúmeras situações na história da humanidade: escravidão, holocausto e agora crise dos refugiados. Os homens do tempo passado compactuaram, em sua maioria, com genocídios e explorações assim como os homens atuais compactuam, de alguma forma, com os milhões de refugiados tentando escapar de guerras e disputas de territórios.

Quantas estradas um homem precisará andar
Antes que possam chamá-lo de homem? 

Até que ponto é necessário um ser humano lutar pelos seus direitos para que seja reconhecido é o que Dylan nos indaga. Negros, mulheres e LGBT's precisam a todo momento lutar por respeito e reconhecimento como pessoas na sociedade, principalmente em tempos de crises econômicas e morais. 

Em uma performance épica, Bob Dylan tocou "Blowing in the Wind", na "Marcha de Washington" em 1963, organizada por Martin Luther King na luta pelos direitos civis da população negra americana.


 Sim, e quantas orelhas um homem precisará ter
Antes que ele possa ouvir as pessoas chorarem? 

Sim, e quantas mortes ele causará até saber que pessoas demais já morreram?

Bob Dylan referia-se às guerras e ao constante perigo de um combate nuclear. Cinquenta e três anos depois, o mundo continua em conflitos político-geográficas, em crise econômica e social sem precedentes e vivendo tensões - ainda que não iminente - de uma terceira guerra mundial, com perigos de armas nucleares por parte de EUA e Rússia. 

Até que ponto os homens de hoje vão permanecer indiferentes aos problemas humanitários atuais? A resposta parece simples, mas os homens tendem a ignorá-las.  

É inegável, portanto, o legado histórico que Blowing In the Wind e Bob Dylan, vencedor do prêmio Nobel de Literatura por "criar novas expressões poéticas dentro da grande tradição da música americana", prestam à humanidade.