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Especial Stanley Kubrick: Laranja Mecânica

Kubrick utiliza propositalmente a linguagem crítica e irônica



Produzido em 1971 por Stanley Kubrick, o filme Laranja Mecânica, baseado no livro homônimo de Anthony Burgess, aborda hipocrisias que envolvem a história sociopata do jovem Alex (Malcolm McDowell), a polêmica reabilitação do protagonista e o dramático retorno após a liberdade judicial. 

Como Laranja Mecânica seleciona temas pouco discutidos - por isso controversos -, Kubrick utiliza propositalmente a linguagem crítica e irônica, mas de modo singular: a própria ideologia se expõe e se ridiculariza. Stanley não a aplica, portanto, diretamente. As instituições expostas apresentam falhas, porque são falhas. 

Uma delas é a carcerária. Liderada por déspotas e conhecida por suas ultrapassadas ideias, a instituição carcerária é incapaz de solucionar a criminalidade (segundo Human Rights Watch, prisões são um desastre para a segurança pública). Entretanto, Kubrick não a critica explicitamente. Ele apenas a revela ao espectador como de fato é. O personagem presídio exibe seu autoritarismo excêntrico e se ridiculariza a partir do momento em que os detentos tornam-se frios como ele. O detento, portanto, é o presídio, indiferente à vida como a instituição. 

Para solucionar o caso de Alex, o filme expõe outra alternativa, a ciência. Com o ambicioso projeto de curar a sociopatia do protagonista, dicos o deixavam sob influência de drogas que causavam sensação repugnante e, em seguida, exibiam a ele, durante meses, cenas de violência, para que, por associação, criasse repulsa a elas. O objetivo foi alcançado, mas o problema não foi resolvido.

Foto: Rick Harris
Stanley refuta a tese científica apenas recontando o retorno do personagem após a liberdade. Percebe-se que o "tratamento" foi desumano à medida que o espectador visualiza as ações motoras e sensoriais de Alex serem reduzidas com o tempo, devido a lesões no sistema nervoso propositalmente causadas pelos médicos. O fato de o Estado ter violado o corpo de um cidadão, e essa invasão ter provocado o definhamento do indivíduo exemplificam o realismo crítico de um dos melhores diretores da história do cinema.