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Sexta Hitchcock: Um Corpo Que Cai

Vencedor do Oscar de 1959, aborda ainda um tipo de machismo até hoje pouco discutido


Produzido por Alfred Hitchcock em 1958, Um Corpo Que Cai, baseado no romance D'entre les morts (Dentre os mortos), de Boileau-Narcejac, contém não apenas um dos melhores suspenses da história do cinema, como também uma trama repleta de mistério, amor e vingança. Vencedor do Oscar de 1959, aborda ainda um tipo de machismo até hoje pouco discutido. 

Para eternizar ainda mais a obra, Hitchcock recorreu ao compositor Bernard Herrmann. Carregada de angústia, a trilha sonora é capaz de inquietar em segundos o espectador, concentrado unicamente em decifrar esse grande mistério.

Convencido pelo amigo Gavin Elster (Tom Helmore), o veterano agente Scottie Ferguson (James Stewart) possui agora a importante função de investigar a esposa de Elster, Madeleine (Kim Novak), a qual passou, nos últimos dias, a ter um hábito peculiar. Scottie começa, então, a espioná-la e descobre que Madeleine visita, repetidamente, locais frequentados no passado por sua avó Carlota Valdes, com o estranho objetivo de reviver não somente a história dela, mas reproduzir seu inexplicável fim, o suicídio. 

Como Elster, Scottie acredita piamente que Madeleine está possuída pelo fantasma de Carlota. Para evitar o trágico destino, o investigador se aproxima do caso com tamanha dedicação que, inesperadamente, apaixona-se por ela. 


Sabendo que Scottie possui um trauma que o impede de subir lugares elevados, Madeleine, apesar do romance, opta por tirar, como Carlota, a própria vida, jogando-se do alto de uma capela. Desiludido, o agente mergulha-se em tristeza e solidão, incapaz de compreender o motivo que a fez se matar. Revisitando um dos locais por onde ela passava, depara-se, porém, com o vulto de Madeleine. Era Judy Barton, idêntica a ela. 

Fascinado pela semelhança, Scottie apaixona-se por Judy, que, embora relutante no início, também desenvolve amor pelo investigador. Barton, entretanto, logo se decepciona, pois rapidamente percebe que Scottie introjeta nela a figura de Madeleine. Exige dela um padrão do qual ela deve discordar, uma vez que a personagem não é Madeleine. Obrigá-la, por exemplo, a vestir roupas costumeiramente usadas pela antiga amante enfatiza não apenas o machismo de Scottie Ferguson, mas da atual sociedade sobre a estética feminina

Judy Barton é vítima de um velado machismo
como várias mulheres
Como era apaixonada por ele, Judy infelizmente aceita-lhe as exigências e transforma-se em Madeleine. Enquanto vestia-se para alimentar o desejo obsessivo de Scottie, o veterano agente percebe algo incomum no pescoço de Judy: o colar de Carlota. Logo compreende, para espanto do público, que Judy realmente é Madeleine. Quem realmente caiu do alto da capela foi outra pessoa

Enfrentando o antigo trauma, Scottie a leva, então, até a pequena torre da capela e a faz confessar sobre o que de fato aconteceu naquela terrível tarde. Judy lhe revela um grande golpe arquitetado por Gavin Elster: era apenas uma atriz contratada para simular um suicídio, enquanto a verdadeira Madeleine, nunca vista por Scottie, era atirada pelo próprio marido da capela. Elster o enganou para que o "suicídio" fosse consentido judicialmente pelo veterano agente, teoricamente a única testemunha, e o assassinato fosse então acobertado.


Assustada com a fisionomia de Scottie logo após saber a verdade, Judy, implorando seu perdão, dá um passo para trás e despenca como Madeleine da capela. A trama, embora tenha causado duas mortes fatais e um profundo desgosto pela vida em Scottie, coroa uma das melhores obras da história do cinema.