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Decifrando George Harrison: Isn't it a pity

Uma das faixas de "All Things Must Pass" que mais fez sucesso, a música questiona tamanho ódio entre as pessoas que persiste até os dias de hoje 

Por Alexandre Prata, Brasil
18 de Janeiro de 2017  


Foto: Ian Burt
Considerado o 11º melhor guitarrista de todos os tempos pela revista Rolling Stones, George Harrison teve a carreira solo mais bem-sucedida entre os ex-beatles após fim da banda. Ainda antes de conhecer a cultura indiana, suas canções já possuíam críticas pesadas ao estilo de vida supérfluo do ocidente e às desavenças de um mundo em plena Guerra Fria.

Rejeitada por John Lennon e Paul McCartney, "Isn't it a pity" foi lançada apenas no primeiro álbum de Harrison, em 1970. Uma das faixas de "All Things Must Pass" que mais fez sucesso, ao lado de "My Sweet Lord" e "Give me Love", a música questiona tamanho ódio entre as pessoas que persiste até os dias de hoje.

Isso não é uma pena?
Não é de se envergonhar
Como despedaçamos nossos corações
E causamos dor um ao outro?

Para Harrison, o ódio referia-se tanto ao contexto político da época, evidente na Guerra do Vietnã, quanta à intolerância a diversos grupos sociais, como negros e mulheres que exaustivamente lutavam por seus direitos em uma sociedade patriarcal e conservadora. 

E por causa de suas lágrimas
Seus olhos não podem enxergar
A beleza que os cerca
Isso não é uma pena?


Tamanha aversão não somente persiste, como se reforça infelizmente na eleição de um candidato manchado pelo preconceito ou no discurso xenófobo da extrema direita, preocupada unicamente com seus interesses. 

Algumas coisas demoram tanto
Mas como posso explicar isso?
Quando nem todo mundo
Pode ver que somos todos iguais

Se nem uma guerra civil é, portanto, capaz de sensibilizar o ser humano, a intolerância passa despercebida aos olhos de muitos. Quando o ódio torna-se indiferente, como dizia Elie Wiesel, escritor judeu vítima do Holocausto, o amor não mais descreve a humanidade.