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Sexta David Lean: Lawrence da Arábia

No início da jornada, o idealismo de Lawrence pela cultura árabe o motivou a seguir firme em sua ambição. Com o tempo, porém, a sua personalidade passou a mudar. Quanto mais avançava em Nefud, mais tornava-se sádico e impiedoso

Por Alexandre Prata, Brasil
13 de Janeiro de 2017  

Lawrence (Peter O'ootole) // foto: Loren Javier
Produzido em 1962 por David Lean, Lawrence da Arábia é baseado no livro Os Sete Pilares da Sabedoria, escrito pelo próprio T.E. Lawrence no Oriente Médio durante a 1ª Guerra Mundial. Interpretado por Peter O’Toole, Lawrence é um tenente britânico que tem a importante função de unir os árabes contra a dominação do Império Turco Otomano. Vencedor do Óscar e outros prêmios, o filme relata ainda o drama particular do personagem em sobreviver ao deserto e em encontrar a sua verdadeira identidade.

Com o desenvolvimento bélico das principais potências europeias durante o neocolonialismo no século XIX, o risco de uma guerra era iminente. Pela hegemonia político-econômica tanto na Europa quanto na África e na Ásia, França, Rússia e Reino Unido juntaram forças contra os Impérios Alemão e Austro-Húngaro.

Iniciada em 1914, a 1ª Guerra Mundial envolveu dessa forma confrontos não apenas na Europa, mas em outras regiões, como no Oriente Médio. Interessados nas grandes reservas energéticas desse território dominado pelo Império Turco Otomano, aliado do Segundo Reich, ingleses e franceses difundiram a ideia de nacionalismo entre os árabes e uniram-se a eles na luta pela independência. 

Transferido do Cairo para a Península Arábica, Lawrence trabalha agora para derrubar Aqaba, importante cidade turca que controla as rotas marítimas na região. Para surpreendê-la, o tenente britânico sugere uma invasão por terra, uma travessia portanto pelo perigoso e traiçoeiro deserto de Nefud, para o qual os canhões turcos não estão apontados.


No início da jornada, o idealismo de Lawrence pela cultura árabe o motivou a seguir firme em sua ambição. As crueldades do deserto, enfatizadas por Sherif Ali antes da expedição, começaram a aparecer, e Lawrence a enfrentá-las. Com o tempo, porém, a sua personalidade passou a mudar. Quanto mais avançava em Nefud, mais tornava-se sádico e impiedoso. Assassinatos e desaparecimentos o transformaram em um homem frio e solitário.

O tenente britânico, no entanto, consegue progressivamente convencer algumas tribos dispersas no deserto a enfrentar um inimigo comum: os turcos. A sede por independência impulsionou enfim uma aliança entre os árabes e a invasão a Aqaba. Apesar da conquista, a ânsia de Lawrence pela guerra apenas se elevou. O massacre em Tafas pelos turcos como retaliação inflou ainda mais o sadismo no britânico, que os perseguiu impiedosamente. 

Lawrence queria agora capturar a cidade de Damasco e derrubar o Império Otomano. Foi questão de tempo para a derrota dos turcos. Era a liberdade tão desejada desde a Idade Média. Com o término da 1ª Guerra Mundial, porém, o Oriente Médio foi dividido entre ingleses e franceses para surpresa dos árabes, cujos interesses são até hoje ignorados por imperialistas.